"O Estado Elétrico" Provoca Ações Diversas ao Abordar Revolução das Máquinas

Quando você chegar em casa hoje à noite e ligar a TV ou notebook à procura de uma distração, aqui vai uma dica: assista ao filme The Electric State (O Estado Elétrico), da Netflix. Mas, por favor, só me critiquem por causa da dica depois de chegar até o final deste artigo e após assistir ao filme.
O filme dos irmãos Anthony e Joe Russo poderia ser o que muitos apontam como “uma receita de sucesso”, ou seja, odiado pelos críticos e aclamado pelos espectadores. Não fosse por um detalhe: tanto a crítica especializada quanto boa parte dos espectadores têm pegado pesado com os diretores e criadores da saga fictícia. Parafraseando uma fala de um dos personagens, “tem que ter muita casca grossa”. Acompanhei vários canais especializados no YouTube e posso garantir que a maioria dos comentários que li segue uma linha parecida no sentido de encarar a história como mais do mesmo, sem profundidade, com atores estelares interpretando os mesmos perfis de outros filmes nos quais participaram e um cenário repleto de planos fechados que não mostram a dimensão de mundo que a história pretendia contar.
Jornais conceituados internacionalmente têm atribuído adjetivos fortes para classificar o filme, entre eles: “sem alma”, “idiota”, “extravagante”, “óbvio”. A justificativa é que o enredo conta histórias já narradas por outros filmes, sem apresentar novidades, sem aprofundar nos personagens e levar a trama para um lugar comum. Mas o que mais impressiona é o seu orçamento. O fato de estar na mira da crítica é o que faz muita gente pensar onde foram gastos os 320 milhões de dólares (cerca de R$ 1,8 bilhão) de produção, o que torna O Estado Elétrico o filme mais caro já produzido pela Netflix. Será que, por isso, os produtores, receosos com a avalanche de críticas, tenham optado por lançar o filme diretamente na plataforma, sem correr o risco de um fracasso nas bilheteiras dos cinemas? Não creio. Até porque a Netflix é a maior plataforma de streaming atualmente e tem mostrado seu poderio investindo cada vez mais em grandes produções e em apostas como o próprio O Estado Elétrico.
Dito tudo isso, o leitor poderia me perguntar se essa não seria uma página de tecnologia e inovação, e não de crítica de cinema. Muita calma nessa hora. Primeiro porque o filme tem tudo a ver com tecnologia. É uma obra futurista, porém com um olhar retrô para uma década de 1990 imaginária. Segundo, porque nos remete a uma reflexão profunda sobre o futuro da humanidade e das máquinas. E terceiro, por entrar, superficialmente, numa questão bem atual: o tempo que passamos — ou que perdemos — diante de tabletes e outros componentes digitais vivendo uma realidade virtual.
A história se passa nos Estados Unidos nos anos de 1990, num cenário pós-apocalipse, quando robôs inteligentes se rebelam e se tornam uma ameaça à sobrevivência da humanidade. Em meio a uma guerra entre máquinas e humanos, uma empresa de tecnologia desenvolve réplicas de robôs que são controladas pela mente humana. Com o uso dessa engenharia cibemética, os humanos vencem a guerra, mas passam a ser dominados pela nova tecnologia que lhes apresenta um novo mundo baseado na realidade virtual. Idosos, adultos e crianças trocam suas atividades rotineiras, a interatividade e o esforço braçal pela distração proporcionada à mente. Com isso, se tornam dependentes tecnologicamente.
O filme ainda provoca uma reflexão, mesmo que de maneira superficial, sobre a independência das máquinas e até onde elas podem se equiparar à raça humana. Robôs inteligentes, e que desenvolveram sentimentos e emoções, querem ser livres e terem os mesmos direitos que os cidadãos de carne e osso. Será que algum dia as máquinas chegarão a esse ponto? A Inteligência Artificial generativa tem apresentado resultados surpreendentes, elevando o nosso conhecimento tecnológico a um outro patamar. Mas até onde iremos avançar e se há um limite prudente para isso, ainda são questões incertas e fruto de disputas entre gigantes da tecnologia.
O enredo do filme é uma adaptação do livro de ficção científica Estado Elétrico, do sueco Simon Stalenhag, que faz uma reflexão sobre os perigos de uma sociedade consumista viciada em tecnologia. Só que a crítica especializada considera que os produtores não retrataram a essência da obra. Ao contrário, alguns fazem até uma analogia do filme com o algoritmo por causa da quantidade de fatos, diálogos e cenas descontextualizadas da história. É como se um monte de situações tivesse sido colocado ali para agradar. Na mesma toada, ouvi crítica na qual o filme seria o resultado de um produto feito no ChatGPT.
Ironias à parte, o fato é que, em sua semana de estreia, o filme já apareceu em 1º lugar no TOP 10 semanal dos mais assistidos da Netflix. Pelo menos no aspecto comercial, o filme tem atendido à expectativa. Já em termos de conteúdo, fico com a crítica do comunicador PH Santos ao comparar em seu canal no YouTube a expectativa de entrega diante de um orçamento milionário: “A embalagem é gigante, o produto é pequenininho”.
E você, me conta depois nos comentários qual foi a sua percepção.
Fonte: Jornal Correio de Uberlândia
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