IA Vira Ameaça Real à Carreira do Jornalista

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Inteligência Artificial
02/04/2025
IA Vira Ameaça Real à Carreira do Jornalista
O diário italiano 11 Foglio lançou recentemente uma edição experimental de um jornal produzido inteiramente com o auxílio de inteligência artificial (IA).

O diário italiano 11 Foglio lançou recentemente uma edição experimental de um jornal produzido inteiramente com o auxílio de inteligência artificial (IA). Tal iniciativa ratifica um alerta que fiz tempos atrás, em artigo anterior, da ameaça que essa tecnologia é para muitas profissões, assim como agora a jornalistas, que podem ter suas carreiras comprometidas à medida que o uso das IAs avance, levando em conta toda a sua capacidade de simular a inteligência humana — aprender, perceber, raciocinar, decidir e deliberar de forma racional.

O objetivo do 11 Foglio com a publicação foi demonstrar como a IA pode transformar o cotidiano dos jornalistas e a maneira como as notícias são produzidas. Ao comentar o caso, o editor do diário italiano, Claudio Cerasa, explicou que “a edição experimental foi criada utilizando IA para todas as etapas do processo, desde a escrita até as manchetes e resumos. Os jornalistas tiveram o papel de interagir com um chatbot, fazendo perguntas e revisando as respostas geradas”. Contudo, essa iniciativa inovadora levanta questões sobre o futuro do jornalismo e o papel dos profissionais da área em um mundo cada vez mais digital. O mesmo ocorre em muitas outras áreas que estão sendo cada vez mais predominantemente dominadas por IAs.

Para o editor do 11 Foglio, a utilização de IA no jornalismo não é apenas uma curiosidade tecnológica, mas sim uma ferramenta que pode trazer eficiência e novas possibilidades para a produção de conteúdo. E, de fato, a capacidade da IA de processar grandes volumes de dados rapidamente permite que jornalistas acessem informações de maneira mais ágil e precisa. Além disso, a automação de tarefas repetitivas libera os profissionais para se concentrarem em aspectos mais criativos e analíticos de suas funções.

Contudo, a meu ver, o uso da IA nas redações pode também reduzir a quantidade de profissionais envolvidos no processo ou até mesmo extinguir a necessidade deles.

Na época da publicação do meu artigo — foi em 2023, intitulado “Inteligência Artificial pode acabar com algumas profissões” —, eu destaquei entre as profissões ameaçadas por IA operadores de call center, professores universitários, analistas, contadores e até juízes. Outros especialistas em tecnologia têm ressentimento igual ao meu. Em entrevista dada em fevereiro ao The Tonight Show da NBC, o cofundador da Microsoft e filantropo, Bill Gates, afirmou que, na próxima década, os avanços na inteligência artificial significarão que os humanos não serão mais necessários “para a maioria das coisas” no mundo. E apontou para especialistas nos quais ainda confiamos em muitas áreas, incluindo o que chamou de “um grande médico” ou “um grande professor”, acrescentando que, com a IA, em pouco tempo, “isso se tornará gratuito e comum — ótimos conselhos médicos, ótima tutoria”.

Em outras palavras, segundo Gates, o mundo está entrando em uma nova era do que chamou de “inteligência livre”. O resultado será avanços rápidos em tecnologias alimentadas por IA que são acessíveis e afetam quase todos os aspectos de nossas vidas, citando desde medicamentos e diagnósticos aprimorados até tutores de IA e assistentes virtuais amplamente disponíveis. Para ele, tudo é muito profundo e até um pouco assustador porque está acontecendo muito rápido e sem limite máximo.

Outros especialistas, como o CEO da Microsoft AI, Mustafa Suleyman, são um pouco mais comedidos em sua avaliação do impacto da IA nas profissões. Eles acreditam que a maioria dos humanos se encaixará nesse futuro alimentado por IA, sob o argumento de que, em vez de substituí-los completamente, essa tecnologia irá estimular o crescimento econômico, resultando na criação de mais empregos.

Mas não falam da possibilidade do desaparecimento de algumas profissões!

No caso de Suleyman, ele argumenta que os avanços tecnológicos contínuos nos próximos anos mudarão a aparência da maioria dos empregos em quase todos os setores e terão um impacto “extremamente desestabilizador” na força de trabalho. Em livro publicado em 2023, o CEO da Microsoft AI escreveu que “essas ferramentas aumentarão apenas temporariamente a inteligência humana (...). Elas nos tornarão mais inteligentes e eficientes por um tempo e desbloquearão enormes quantidades de crescimento econômico, mas estão fundamentalmente substituindo o trabalho”.
“Acho que Suleyman quer dizer que as ferramentas de IA podem fundamentalmente substituir o trabalho, não o trabalhador. Mas a realidade parece ser outra e o futuro é incerto."

E sim, acredito que certas profissões podem sim estar com os dias contados, como ocorreu no passado com o trabalho de telefonista, arquivista e acendedor de postes (profissionais responsáveis pelo acendimento das luzes de ruas iluminadas a lampiões, querosene e fogo).

Mas, no caso do jornalismo, como também pode ocorrer em outras profissões, deixo um alerta.

O uso da IA levanta preocupações sobre a ética e a qualidade das informações geradas. A dependência excessiva de algoritmos pode resultar em conteúdos superficiais ou enviesados, se não houver uma supervisão humana adequada. Portanto, o equilíbrio entre a automação e a intervenção humana é crucial para garantir que a integridade jornalística seja mantida.

Fonte: Jornal de Uberaba

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